quarta-feira, 16 de maio de 2012

A despretensão salvou uma infância


(Esse quadro está na casa do tio Alberto desde que me entendo por gente)

A Despretensão Salvou Uma Infância

Posso dizer que minha infância, não foi tão rica, quanto, às fantasias das literaturas infantis. A rígida tradição religiosa do meu pai dizia: “Estória boa, é estória da Bíblia”. Foram apenas essas que me contaram nas noites de ninar.

Qualquer estória pode ser contada para criança, inclusive as da Bíblia, desde que, se saiba contar, no meu caso, as narrativas eram na grande maioria péssima, trazia pouca lição de moral, nada de entretenimento, muito preconceito quanto a outro tipo de fé e as ideias eram castradoras.

Eu não desfrutei dos belos contos de fadas. Para meu pai toda ficção era mentira, portanto, diabólica. Olhando os grandes educadores com Rubem Alves, vejo como os contadores de histórias são importantes. “A ética no país das fadas” texto de G. K. Chesterton, (um dos capítulos da excelente obra Ortodoxia) mostrou-me o quanto de beleza, a minha infância foi roubada.

Hoje, recebi uma dura noticia e esta me fez relembrar, e, perceber que nem tudo foi tão ruim assim. O irmão mais velho de meu pai faleceu. Um velhinho de jeito marrento, mas no fundo, muito simpático. Morador de um sítio incrustado no mato. Tio Alberto Soares, fazia bem o tipo Urtigão. Sempre muito saudável, trabalhava na roça. Há um ano, eu o vi subindo em árvores. Sua casa de madeira, mais lembra uma cabana, ao mesmo tempo em que é rústica, é confortável e aconchegante.

Esse tio é o primogênito da vovó, meu pai é o caçula, entre eles tem treze irmãos, meu pai tem 69 anos, tio Alberto 89.

É bonito lembrar meu tio como um exímio guardador da natureza. Não esses ecos-chatos que viram ambientalistas para ser politicamente correto. Meu tio, não tava nem ai para isso. Ele amava a natureza, cuidava. Não permitia que ninguém caçasse na região. Plantava árvores. Não gostava de queimadas. Vivia sua vida simples da forma mais sustentável que se possa imaginar.

Dos muitos tios que tenho, tio Alberto foi praticamente o único que tínhamos contatos durante a infância, os demais a religião os afastou. Esse contato só era possível, pois ele era nosso vizinho, suas terras eram próximas das nossas. Então sempre que podíamos corríamos (fugíamos) até a casa do tio Albertinho.

O principal motivo de irmos até ele, era para ouvir suas estórias. Todas mirabolantes. Ele as inventava na hora, tudo de improviso. O protagonista quase sempre era ele. Narrava caçadas espetaculares, contos do arco da velha. Parecia o Pantaleão de Chico Anísio, e, eu me encantava e viajava, mesmo sabendo que não eram reais. Tais estórias eram tão doces de ouvir. Descobri nessa época o lado saudável do “me engana que eu gosto”.

Hoje, eu avalio uma velhice bonita, pela capacidade do idoso em contar uma boa história, principalmente, para crianças.

Dia primeiro de maio. Dia do trabalho. Não poderia ter uma data mais emblemática, para meu tio contar sua última história. Hoje ele nos deixou, talvez sem saber o quanto me fez bem. Ele se vai, e, leva uma das partes mais doce de minha infância, que eu tanto luto para não abandonar.

Alguém já me disse que conto estórias, fico feliz, pois de certa forma, esse velhinho viverá em mim e nos meus filhos, então ele viverá para sempre.
Jessé
Aos 30 ainda gosto das estórias.
Pai (Zequinha),Tio (Alberto), Sobrinho (Jonathan), Irmão (Jonildo)
No churrasco
Se aquecendo

sábado, 24 de dezembro de 2011

Conselhos para uma vida tranquila




Conselhos para uma vida tranquila

Após analisar algumas situações, cheguei a certas e simples conclusões, de como viver uma vida sossegada. Basicamente e é fingir, que é cego e surdo e mudo, quando não for o suficiente, finja que é idiota. Certeza que dará certo. Vão abaixo meus sábios conselhos.

Ao andar pelas ruas das grandes cidades é muito importante ser cego, pois você pode ver velhinho puxando carroça de papelão, não me refiro aos moradores de ruas que escolheram uma vida de ermitão, mas de senhores e senhoras que já deram suas contribuições ao nosso país, trabalharam a vida inteira, e agora na melhor idade, alguns recebem salários de miséria, outros não recebem nada, então precisam complementar suas rendas ou fazer a única, simplesmente para sobreviver. Expostos a sol e chuva, vão à busca de qualquer tipo de sucata descartada nas calçadas, para vender no ferro velho. Nem fale com essa gente, Ignore o barulho das latas chacoalhando enquanto eles se locomovem. Finja ser idiota. O responsável pelas políticas previdenciárias não é você. Quando eleger alguém, procure não lembrar que ali no poder está o seu retrato e na rua está o seu futuro.

Ainda nessa atitude de andar pelas ruas não veja as calçadas esburacadas, sem acessos para deficientes físicos, seja eles cadeirantes ou deficientes visuais, lembre-se que você não é assim, portanto não é de sua conta. Quando chegar a um banco, ou qualquer lugar em que essa gente for impedida de entrar, ou os assentos preferenciais ocupados por marmanjos folgados, e, houver alguma discussão, passe direto, não vá comprar briga que não seja sua, tape a boca e os ouvidos, feche os olhos, siga em frente, Isso serve para situações com gestantes e idosos.

Sem sair da via publica, tem outra coisa que pode ser chata, é criança pedindo esmola. Não se importe com elas. Nem fique imaginado: que deveriam estar na escola, que o poder público deva fazer alguma coisa, que ela está sendo explorada por uma mãe ou pai de rua. Essas também não valem à pena conversar, não pergunte sobre sua família, Não as veja. Faça um olhar perdido, se você quiser, eles podem ser invisíveis. Todos: os mendigos, os usuários de drogas (muitas vezes pré-adolescentes), famílias inteiras debaixo de pontes e viadutos, favelas a beira de córregos e avenidas. Bom falar, pois alguns políticos já pensaram nisso, constroem um cinturão de prédio em frente a grandes favelas, quando passamos vemos só os prédios os barracos ficam atrás, ajuda bastante. O problema é quando pega fogo, então é só procurar não saber, mude de canal, quando passar no noticiário. 

Quando for viaja pelo Brasil, principalmente norte e nordeste, muito cuidado. Pode acontecer de você está na estrada, ou em lindas praias, ver a prostituição descarada, maioria das vezes infantil. Simples feche os olhos, entenda, não de verdade, pois se tiver dirigindo pode bater o carro e estragar seu passeio. Digo uma atitude de não ver. São fantasmas. Afinal, não é a sua filha mesmo. Não vá querer denunciar, ligar para a polícia, conselho tutelar, pode não acontecer nada e você só perder tempo.

Procure ficar longe dos sertões brasileiros: Vale do Jequitinhonha, regiões secas do nordeste, comunidades de quilombos, aldeias indígenas, ribeirinhos das regiões amazônicas, fazenda que usam trabalho escravos por esse Brasil a fora. É um monte se gente doente sem acesso a médicos, sem saneamento básico, sem comida, sem água potável. É horrível, não queira estragar a sua zona de conforto, evite esses lugares, gente chique como você nem precisa saber disso.

Evite noticias ou documentários sobre a África. É um continente do outro lado do Atlântico, longe pra 
caramba. Não vire de forma nenhuma sua atenção pra lá. Tem muitos filmes e documentários degradantes, só serve para enfear seu dia. Deixa sua consciência sossegada. Prefira filme de comedia, pornô, até programa de humor, mas cuidado alguns são irônicos, foque apenas as piadas, procure apenas rir e nunca refletir. Lista de filmes que você não deve ver: Amor sem Fronteira, Diamante de Sangue (tanto o filme como o documentários), Repórteres de Guerra, Tiros em Ruanda, Hotel Ruanda, A Lista de Shindler, Amistad, O Jardineiro Fiel, Tropa de Elite 2, O caçador de Pipas, e muitos outros, não quero ficar lembrando, pois também preciso viver.

Então fica a dica, jamais se envolva em questões sociais e humanitárias, a vida dos outros é dos outros, viva apenas a sua, que afinal de contas, esta já da muito trabalho, não vai perde seu sono à toa com quem você não conhece.

Quando for a igreja, evita as que se preocupam com esses temas. Entregue todo o dinheiro que eles pedirem, e não questionem. Não olhe a vida dos pastores, bispos e apóstolos. Ou melhor, não se aborreça em sair de casa para ir ao templo, passa tudo na televisão mesmo, deposita a grana na conta bancaria e já era, se você for até lá, pode ter alguns inconvenientes pelo caminho, alguns aqui já mencionados, e chegando lá, de repente perceber que as curas não acontecem, ou outro tipo de armação que é melhor nem pensar, afinal são todos homens de Deus.

Não se informe sobre a política e nem queira saber de seus direitos. Vote, mas desde que na semana seguinte você esqueça em quem votou, vai que esse cara aparece envolvido em alguma falcatrua e perceberás que perdeste seu voto. Vote em qualquer um, são todos iguais mesmo. Não perca seu tempo em saber a vida dos candidatos, isso é coisa de fofoqueiro, quando quiseres saber da vida de gente famosa prefira as celebridades televisivas, mas as dos políticos não. Não se importe com o que é feito com o dinheiro de impostos, acredite em mim, você pode passar raiva, não vale a pena.

Meu. Ta surgindo ultimamente uma nova raça de gente chata, já é chamada carinhosamente de ecos-chatos. Fuja desses caras, se preocupam com tudo, é rio poluído, dizem pra você não lavar o carro e a calçada com a mangueira, pegam no seu pé se você joga lixo na rua, não querem que você ande de carro. É uma verdadeira falta do que fazer. Dane-se o planeta, daqui cinqüenta anos podemos nem estaremos vivo mesmo, vamos viver o agora. 

E de hoje em diante ouça apenas fank carioca, ou qualquer outra porcaria que não te faça pensar. Teve um cara que gritava em sua canção “que país é esse, que país é esse”, outro queria “uma ideologia pra viver”, um mais antigo dizia que “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, detalhe dois deles já morreram, e tem outros na lista. Olha lá, cuidado coma a sua vida. Já vi jornalistas perde o emprego e até morrer, tudo por se envolver nessas coisas supérfluas. Sem falar num tal de Martin Luther king Jr. e num tal de Gandhi, que foram assassinados.

Talvez na escola perto de sua casa ou mesmo na rua onde mora pode ter tráfico de drogas, não comente com ninguém, nem sonhem em denunciar, faça como um ex-presidente, “eu não sabia de nada”. Não vai perde o sossego por qualquer coisa. 

Então é simples. “Minha consciência não tem olhos, nem ouvidos e nem boca, sou idiota”. Esse é o lema de 
uma pessoa feliz. 

Saiba que é muito bom chegar em casa deitar na cama e dormir o sono da mediocridade, se possível comer o pão do ócio, e ser um feliz idiota, cego, mudo e surdo da alma.

Jessé 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O profeta do caos por um mundo melhor




O profeta do caos por um mundo melhor

Assim que me descobri gente, e, comecei a entender um pouco do mundo,  ensinaram-me muitas bobagens, ou melhor, alguns grandes absurdos: como filho de crente pentecostal, meus pais me diziam, para não me preocupar com esse mundo, pois o mesmo jaz no maligno, e, Jesus vem e vamos para o céu; os Americanos são ricos por que é um país cristão e protestante, então Deus os abençoa; até mesmo uma professora de geografia no ensino médio enfatizava o fato de os países protestantes serem mais ricos que os demais, pois a 'benção e a prosperidade é um dom de Deus', ensinamento dos protestantes (capitalistas), os católicos ensinavam que 'é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha, do que um rico entrar no céu'.

Sonhava então com um Brasil que tivesse a mesma capacidade financeira dos EUA: ‘Quando estivermos como eles, todos crentes, o Brasil vai melhorar, se ainda o presidente for evangélico, aqui será o céu’. Graças a Deus, esse encanto passou logo. A inda hoje me flagro envolvido em debates bisonhos como esses, alguém recentemente tentou me convencer, que o capitalismo embora sendo selvagem, é mais vantajoso que o comunismo ateísta, pois um da liberdade de culto o outro não.

Mas o que mais me fez acordar, foi o contato que tive com a literatura, li quatro grandes livros, e foram obras libertadoras, trata-se de “1984” e “A Revolução dos Bichos” de George Orwell, O “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, e, “Não Veraz País Nenhum” de Inácio de Loyola Brandão. Com exceção da Revolução dos Bichos que é o retrato fabuloso de fatos históricos, os outros três podem ser chamadas de “profecia do caos”, hipóteses futurísticas.

A Revolução dos Bichos
Já na adolescência admirei “os caras pintadas” quis ser um, o ideal comunista me encantou (apenas o ideal) pois a pratica Orwell me mostrou como era. Descobri Olga Benario e Luis Carlos Pretes, Paulo Freire e Karl Marx. Vi que todas as grandes utopias são contaminadas pelos homens. Neste livro a fazenda representa o estado soviético, corrompendo o belo sonho de Marx, a fabula não deixa quase nada de fora, mostra a religião a serviço do poder, o poder a serviço de poucos, e a população trabalhadora sendo explorada até a morte. No final do livro fica a clara semelhança entre o capitalismo e o socialismo, como fonte de opressão e cinismo. Tem também o filme, mas o final é horrível, numa falsa imagem de esperança colocam uma nova família chegando à fazenda, para tomar conta, essa nova família seria os americanos, os novos donos do mundo, George Orwell deve ter se revirado no túmulo.

1984
Escrito nos últimos anos da década de 40, projetava a década de 80, onde um estado totalitário, praticamente mundial, dominava seus cidadãos até nas reações mais humanas. Utilizando a figura do Big Brother, o grande irmão, um líder tipo 'Stalin' e a 'teletela' uma espécie de câmera e monitor, totalmente interativa, através desta, o sistema controla até o inconsciente. O sistema tinha idioma próprio, manipula as informações históricas, seus rebeldes não eram derrotados ou aniquilados, eram vaporizados, não apenas matavam, faziam aderir o sistema e amá-lo, ai sim eram eliminados, não apenas seus corpos, mas também suas memórias, os jornais eram alterados, onde houvesse uma referencia, eram também deletados, como se o rebelde nunca existisse. Nesse mundo não havia espaços para mártir. A narrativa começa mostrando um cenário ruim e vai piorando, quando se acha que não existe mais a nada a piorar, o autor ainda assim consegue, o livro segue assim até o final e termina da pior forma possível, “nada muito ruim que não possa ser piorado”, já dizia um amigo meu. Esse livro influenciou o mal fadado Big Brother global, apenas o nome, os conceitos são completamente inversos. Aprendi: que todo totalitarismo e culto a uma personalidade, seja política ou qualquer outra, é diabólica; tudo que rouba as sensações humanas, é uma monstruosidade; os sistemas políticos e midiáticos manipulam as informações a fim de manobrar as massas; a tecnologia é alienante. Fizeram o filme, leva o mesmo titulo do livro, esse é muito bom, recomendável.

Admirável Mundo Novo

Simplesmente fantástico, o cinismo da narrativa é encantador, a historia passa também no futuro, embora seja escrito  na década de 30, faz previsões maravilhosas a respeito de tecnologias, que hoje são muito comuns. Sem declarar, é nos mostrado um sistema também totalitário e controlador, não é permitido amar ou odiar, o homem vive controlado por drogas, uma beleza falsa, mecânica, sem a imprevisibilidade, pois o que torna a vida linda e empolgante, e, o que nos da esperança, é que não existe nada definido, tudo pode ser mudado, o prazer de superar o desafio, é saber que há a possibilidade de eu não superar. O ‘mundo novo’ é assim sem perigos, mas sem emoção. Pintado com tintas bonitas, mas a gravura quando olhado com atenção, é horrível. Até que um selvagem, o que seria uma pessoa normal, entra em cena e salva a historia, como uma espécie de hino a liberdade “Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o autentico perigo, quero a liberdade, quero a bondade, quero o pecado”. Tem algumas produções dessa obra para a TV, mais as que vi, são muito fracas, Hollywood promete um filme a altura do livro, estamos aguardando.

Não Verás País Nenhum


O brasileiro Inácio de Loyola Brandão, fez também sua parte por um mundo melhor, relata uma São Paulo apocalíptica. O detalhe é que ele não inventa os problemas que o Brasil sofre, ele só exagera as situações já existentes, como a destruição da natureza, alimentos artificiais e cancerígenos, roubo descarado do dinheiro público, obras públicas de faz-de-conta, que não resolve nada, apenas paliativos, gente morrendo pelas ruas, apodrecendo vivas como na cracolandia, o transito parados nas grandes avenidas, a ponto de os carros serem abandonados, enfim, é o retrato verdadeiro de nossa cidade e do nosso país. É claro que a intenção do exagero é proposital, para nos fazer acordar. Esse não tem filme, talvez nunca tenha, se a obra fosse americana, certeza que estaria nas grandes telas. O legal mesmo é ler, e, não ler esses livros, é tão pecado, quanto não ler a Bíblia.

A literatura me salvou de uma visão superficial e limitada do mundo, hoje sei, que os americanos são ricos por sempre explorar outras culturas e nações, dizimaram seus indígenas, roubando suas riquezas naturais e culturais, escravizaram os africanos, ainda hoje exploram o terceiro mundo, invadem países em busca de petróleos, e tudo isso em nome de Deus. Sei também, que os protestantes não são os mocinhos da historia, e sim os selvagens (capitalista), criaram um sistema econômico, que além de distribuir a desigualdade, está condenando a terra a um fim catastrófico, os recursos naturais não suportam por muito tempo nossa ânsia pelo consumo. "Um viva ao capitalismo selvagem e libertador"!

Aprendi, que não é o mundo que tem que ser reformulado, não é os sistemas que devem ser melhorados ou reinventados, todos os sistemas vistos na teoria, são lindos e maravilhosos, o socialismo e o comunismo de Marx são perfeitos, o cristianismo primitivo também tem uma caminhada comunista, onde todos viviam em comum com o que se tinha, mas todas as sociedades que adotaram o socialismo, nós vimos como acabaram e as remanescentes vão de mal a pior, o cristianismo, tornou-se também fonte de poder, miséria, opressão, massacres, muito distante do que Cristo ensinou. O que precisa não é reformulação de sistemas, e sim, a reformulação do ser humano. Por que se o homem mudar, qualquer sistema dará certo. E qual é o modelo que o homem deve seguir? É tornar-se um super-homem ou um anjo? Não. É ser o mais humano possível, assim como Cristo foi. Para aprendermos a lidar com nossa casa (nosso planeta), valorizá-la. A terra é um pressente de Deus para humanidade. Não é descartável, onde se destrói e se adquire outra. O capitalismo por ser filho do protestantismo, acredita na vinda de Jesus, um advento que nos levará para outro lugar, onde não precisaremos mais dessa terra, por isso, as gerações futuras correm o risco de não ter um planeta descente para morar. Será que Jesus almeja vir, não em um advento, mas vir hoje, e transformar as nossas vidas, a sua imagem e semelhança, onde homens respeitarão outros homens, e a terra seja tratada com dignidade?

Analisando os meus três profetas do caos, é nítido que algumas de suas palavras fez, fazem e farão todo sentido, outra não, muitas coisas não aconteceram, e nem acontecerão. A teletela de Orwell até existe, hoje tem equipamento melhor que o imaginado, mas se bem usado não escraviza ninguém, mas fica sempre o aviso que é possível sim nos tirar à liberdade. A humanidade sendo produzida como numa linha de montagem de Aldous Huxley, não acontece, mas sabemos que a clonagem é uma realidade. As ruas de São Paulo ainda não pararam a ponto de abandonarmos os carros, como no romance de Brandão, mas ninguém duvida que essa realidade está bem próxima. Se algumas previsões deles não se cumpriram, não significa que foram mal sucedidos, pelo contrario, foram muito bem sucedidos e espero que continue assim, pois suas mensagens foram de algumas formas assimiladas, e até agora tem nos livrados do pior, o fato é que nunca estaremos livres de suas previsões.

A grande contribuição desses caras a mim, foi tirar-me, do meu mundinho, e, ver além, do que muitas vezes, o sistema não quer que você veja, sem apelação extra natural, milagreira ou esotérica, apenas olhar em nossa volta e perceber que algo muito ruim está acontecendo e se não fizermos nada tudo vai piorar. Isso sim é um olhar profético, Deus não desce do céu e revela, nós apenas olhamos.

Minha opinião é que esses livros deveriam ser lidos em todas escolas e igrejas, pois no mínimo teríamos pessoas mais esclarecidas, quanto as suas responsabilidades em uma sociedade, e talvez o planeta não estaria com seus dias contados, o capitalismo não seria sinônimo de benção, os cultos às personalidades seria uma heresia, e a população não seria uma espécie de gado dos mais espertos, seja esses espertos  políticos ou religiosos.

Quem já leu essas obras divulguem, quem não leu, leiam pelo amor a vocês mesmos, para que nossos filhos tenham um mundo melhor.

 
  
 Jessé

sábado, 19 de novembro de 2011

Sons da vida


Sons da vida

Não era uma voz que calava
Era um coração que pulsava
Vida misturada com silencio

O frio que gelava minha alma
Era o frio da solidão
Alma só, homem triste, calado

A sombra, o dia, o fim
A curva, o espaço, o eclipse
Contrastes, contornos, canções

Paz para sorrir, coragem para viver
Historias para contar
Saudade do futuro

Viola sem corda, samba sem pandeiro
Noite sem estrela, corpo sem alma
Controle da nau, trem sem trilhos

É à vida agridoce
É à vida hora doce hora amarga
É o grito, é à vida....

Jesse soares



Sentidos


Sentidos

Não sou capaz de viver
Não sou capaz de morrer

Sou o sentir, sou a dor, sou a ira
Quero a revolta e o ódio

Talvez farei de mim uma mentira, farei de mim uma fraude

Sou a fécula de uma estrela

Vim do nada, para o nada e meu futuro é o nada

Tenho sorte, ou seria azar?

Pensar pra que?

Quem pensa vive? Existe?

Quem pensa morre

Jesse soares

sábado, 2 de julho de 2011

QUANDO FORES FALAR...



O que mais me espanta, é a falta de sensibilidade dos fundamentalistas (ditos) religiosos. Não constroem nada, não fazem nada pelo próximo, maltratam pessoas, são anti-sociais. Ninguém os suportam, pois são chatos e com mérito. Acima de tudo são covardes, pois não tem coragem de expor suas idéias, na verdade não possuem idéias, apenas perseguem as alheias. 

Quando falo de coragem, é de expor seu coração, da mesma forma que fazemos. Sempre que escrevemos algo, na parte de baixo do texto há um espaço para comentário, mas eles não deixam seus posicionamentos lá, pois tem medo da exposição, ou, quando deixam não se identificam, o que é muito pior.

Não temos problemas com críticas, desde que, seja identificado o critico, que ele tenha coragem de se expor, tantos os pensamentos, como sua imagem. Não é admissível ataque pessoal, quando o crítico não nos conhece pessoalmente, não sabe do nosso caráter, nem a nossa caminhada.

Critiquem as idéias, conteste-as.  Faltando argumento, cale-se. Não face o papel de ridículo. A intolerância sem motivo é ultrapassar o limite da burrice. Para falar de um texto, leia com atenção, talvez suas idéias não sejam tão diferentes. Faça uma simples interpretação antes de julgar. Contrariar aquilo que na verdade concorda é demonstrar dificuldade de raciocínio e leitura.

Se inspirar em outras pessoas, para meter o pau nos outros, não é original. Quando alguém ataca outro pessoalmente, talvez ela tenha motivos. Houve problemas entre eles. Embora a truculência nunca seja bonita, mas às vezes se justifica. Agora, alguém sem criatividade embarcar em um discurso agressivo de um retórico habilidoso, e atacar terceiros fora do campo das idéias, e em ataques pessoais absurdos, isso é paranóia louca, ou ânsia desesperada de querer aparecer.

Para criticar alguém, tem que no mínimo saber fazer algo parecido. Ter do que falar, ter experiência.

Criticar uma comunidade, sem fazer parte de uma, e sem conhecer a que critica, é simplesmente ridículo.

Criticar um pensador, sem ter construído nada, é muito ridículo.

Criticar uma idéia sem ter outra para contrabalancear, é assinar o atestado de ridículo.

Substituir idéias novas por idéias antigas é andar para traz, isso também é ridículo.

Não ter peso na língua e falar sem conhecimento, é falta de amor,  sensibilidade e senso de justiça. É por tampão de eqüino nos olhos, perder o periférico e ser encabrestado pelo fundamentalismo violento que moveu a cultura norte americana, e, ainda move. Até hoje influência o Brasil. Somos filhos da Ku Klux Klan, dos juiz e os executores de Salém, dos que promovem guerras em países dos outros, e usam o nome de Deus para justificar genocídio. São os mesmo que destroem sozinhos 30% do planeta, em nome de sua economia egoísta, que não pensa nem em seus próprios filhos. Foi esse fundamentalismo que regeu o protestantismo brasileiro, e tornou os crentes estéreis na capacidade de pensar, os amputou na capacidade de teologar. Fundamentalismo que deu as mãos ao poder e entregou e torturou estudantes crentes nos porões da ditadura.

Não entendo como alguém que busca igualdade, justiça, liberdade, pode causar mais escândalo e mais repercussão, do que corruptos charlatões e mentirosos.

Um pastor lutar por uma sociedade justa, causa mais revolta e indignação do que pastores entregar seus membros ao governo militar para irem ao pau de arara.

Essa inversão de valores é tão louca que é comum pastor roubar e continuar em seu cargo, mas alguém que pretende uma sociedade onde seus membros não serão humilhados é apedrejados e muitas vezes mortos, haja vista o que aconteceu a Martin Luther King Jr.

Então amigo critico, tenha no mínimo respeito e conhecimento de causa. Quando fores abrir sua boca para falar, de quem quer que seja, e, se esse alguém merecer te ouvir, que ele te ouça, mas tenha como arma: o pudor, a hombridade, o amor. Pois assim sua voz será mais assimilada. 

E então terás o meu respeito.

Jessé

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Degradalísmo



Egoísmo
 Ter tudo que não preciso
        Enquanto falta a muitos



Egocentrísmo
                   Ser tudo o que é
                                         Enquanto  não faz falta a ninguém



Individualísmo
                   Ter só a si mesmo
                                             Enquanto todos o querem amar



Esnobísmo
               Ter tudo que não interessa
                                               Enquanto ninguém se importa



Consumísmo
               Ter tudo que anseia
                                              Enquanto a natureza morre



Corporativísmo
                     Ser corrupto
                               Enquanto seus páreas são protegidos



Adventísmo
                 Desperdiça o presente
                       Enquanto nega o futuro às próximas gerações



Religiosísmo
                  Ter a massa nas mãos
                                             Enquanto nega-se a liberdade



Mesquinhísmo
                    Ter tudo que não me faz falta
                                         Enquanto meus próximos carecem



Jessé



quinta-feira, 16 de junho de 2011

Um Conto da Religião





São Paulo, segunda-feira, cinco horas da madrugada, primeira chamada da equipe de resgate. “Bom dia sargento. Lá vamos nós. Ontem o culto na minha igreja foi uma benção.” O sargento fechou a porta da viatura e olhou a prancheta.  “Positivo novato. A chamada é na rua dos Protestantes com a rua da Vitória. Deve ser um nóia que passou mal. Na minha igreja o culto foi normal, só acabou muito tarde.  Já estou iniciando a semana cansado.”

“Some daqui! Mais tu é uma vergonha memo.” A primeira pancada foi na cabeça, na altura do supercílio, um talho surgiu e o sangue jorrou. Ronaldo cambaleou e apoiou-se na parede, tatuou de vermelho, a palma e os cinco dedos, manchando todo o plano branco da lateral do prédio da igreja. “Não pai. Pelo amor de Deus. Eu só estava fazendo um trabalho da escola com meus colegas.” Com a acha de lenha vieram novos golpes. “Levanta seu desgraçado miserávi. Pra fazer coisa errada tu tem força, pra apanhar não, né.” Um corpo no chão e pastor José deu-lhe as costas balançando um quarto todo farpado de jacatirão, foi até os fundos onde é a casa pastoral e arremessou-o no monte de lenha ao lado do fogão. “Ele ta acabando com meu ministéro. Meus filho tem que se exemplo da igreja. Sangue de Jesus tem poder! Já expulsei esse demônho, mas não adianta. Vai orar, pedi perdão pra Deus. Por desobedece a seu pai que é também o seu pasto. Seu sodomita safado.”

Naquele mesmo dia Ronaldo foi embora, pegou carona e depois de umas duas horas e meia, chegou a São Paulo. O caminhoneiro só o levou em troca de favores sexuais. Foi oferecido pelo radio amador PX do borracheiro abeira da BR. Manéborracha ganha um dinheiro extra, como cafetão e pedófilo. Coisa comum 
nas estradas por ai.

“O que tu vai faze na capital da fumaça, guri?” Ronaldo olhou as curvas da serra que ia passando pelo retrovisor, depois de um breve silencio, respondeu: “Não sei. É que não agüento mais o vale da miséria”. Mas foi em são Paulo que ele passou muita fome, conheceu a cracolândia e crack. Dormiu sempre nas ruas.  Prostituiu-se a troco das drogas. Como o prodigo, lembrou-se de onde era. Grande talento musical tocava violão como poucos. Aos oito anos conduzia o louvor. Todos o admiravam. “Esse menino é uma bençã”. Dizia irmão Manoel, o presbítero e braço direito do pai. Um belo dia, pastor José e sua esposa, entraram em seu fusca e disse aos meninos: “Vo cuidar da obra de Deus. Mais tarde o irmão Manoel sai do serviço vem fica com vocêis, até eu chega. Disse pra ele não si incomoda, mais ele é muito bonzinho, faiz questão de cuida de vocêis. Vo faze umas visita nos sítio. A irmã Doralice ta doente e famílha do Tião tem um mês que não vem a igreja. Se eu ficar sabendo que vocêis aprontaro e não obedecerem o irmão Manoel, vão si vê como minha cinta quando eu volta a noite”.  Sempre que o pai saia as crianças conheciam a paz. O pai voltava, voltava o pânico. Só que nesse dia o pânico chegou também com o presbítero Manoel. “O mundo deveria ser só de crianças, não deveriam existir os adultos”. Disse Ronaldo naquele dia a seus quatro irmãos, dormiram chorando baixinho, todos doloridos.

Zumbi que se rasteja, um espectro que se translada. Foi assim por muito tempo, uns dois anos. Nas cinzentas e fedidas ruas do centro da maior cidade do país. A madame passa e nem olha. Debaixo dos papelões, dentes podres e tuberculose avançada, o cachimbo da morte sempre é servido.

Todos os outros irmãos cresceram e foram embora da casa do pai, era impossível viver lá. Seis meses depois que o ultimo fugiu, o pastor presidente do campo sacou o pastor José da igreja que dirigia há quinze anos e disse que seus serviços não serão mais necessários à instituição. Agora está velho, não há espaço no mercado de trabalho, principalmente nessa região, nunca pagou a previdência, não há onde morar. “Meu Deus! Meu ministéro acabo e meus filho nem tão aqui para vê. Onde andarão us meu meninos”. Fez seu culto de despedida no domingo, na segunda feira levantou cedinho para arrumar a mudança. Vai morar em um casebre na área rural, cedido por caridade por um fiel de sua igreja. Foi em Miracatu e região que o pastor José despejou os melhores anos de sua vida, sem perceber despejou também a vida de sua família. Terá que sair dos fundos da igreja que ele próprio construiu. Um pastor mais jovem tomará posse em seu lugar, dizem que tem cinco filhos pequenos. “Olha! Os caderno de escola do meu filho mais velho. Não vou pode leva, vo separar pra jogar fora. Onde Ronaldo andará? Que saudade... Porque era afeminado? Tão talentoso. Que isso! Parece uma carta, toda manchada, parece que foi de sangue!”

Na capital, o dia ainda amanhece, uma van vermelha para e o bombeiro examinam um corpo sem vida. “Sargento, está morto, tem aproximadamente uns vinte anos, morreu essa noite, ta muito frio.” Após por as luvas o sargento levanta o cobertor imundo e confere, fez isso, pois seu parceiro não tinha muita experiência, primeiros meses na profissão. “É um saco de osso, se tu me falasses que ele tem quarenta e morreu há dois meses, eu acreditaria, e essas cicatrizes na testa, são antiga. Chamem o IML.”

A uns cento e cinquenta quilômetros dali, o pastor lê:

Deus porque aconteceu isso comigo, naquela época eu era só uma criança de oito anos. O presbítero Manuel é nosso irmão da igreja, e faz isso com a gente. Machucou-nos, que nojo, segurei por que me obrigou, passou na minha boca. Dizia que ia nos matar se contássemos a alguém. Por quê? Onde estava meu pai? Fazendo visita e orando por doentes. E nós? Onde você estava Deus? Como poderia contar ao meu pai que foi assim que começou. Jamais iria acreditar. Nunca nos ouviu. Depois vieram os outros abusos. Hoje sou assim mesmo, ele jamais vai me entender. Vacilei, não poderia ter me pegado no quarto com os moleques do colégio. Sou um pecador perdido como papai sempre fala, é isso, tenho que ir embora.
Ronaldo

“Sargento, é nisso que da, não criar os filhos na igreja. Se esse moço fosse um filho de crente, não acabaria nessa situação.” Ambos levantaram-se, soltaram o cobertor, olharam os curiosos, que faziam um circulo em volta deles. Eram dezenas, um bando de gente suja, raquítica, olhos fundos, rostos ossudos e pupilas dilatadas.  “Tenho vontade de fazer algo por essa gente, trazer a igreja pra cá e arrumar clinicas de tratamento para viciados em drogas. Sei lá, fazer alguma coisa. São seres humanos!” Enquanto pediam licença e abriam passagem, o jovem soldado comentou: “Não sargento. O mundo jaz no maligno. A vinda de Jesus está próxima. É por isso que já ta tudo se acabando. Minha igreja não trago pra cá de jeito nenhum. Não podemos perder tempo com isso. Temos que nos preparar pra ir pro céu”. Os policiais militares chegaram para guardar o corpo até o IML vir buscá-lo e assim liberaram os socorristas.

Os bombeiros retornaram à base a espera de um novo chamado. “O que será do garoto, sargento? Não tinha um documento, não tem como avisar a família”. A cancela do portão do batalhão vai subindo. “Estacione a viatura ali, perto da escada magirus. Quando é assim é enterrado como indigente”.

Jessé (Este texto é dedicado a todas as pessoas abusadas atrás das cortinas da religiosidade)